Sintomas de que a redução do time de marketing nas empresas está próxima. E isso é bom

Antes de começar este artigo, vamos esclarecer este esse título. Se as empresas vão reduzir o tamanho do time de marketing, isso quer dizer que eles vão demitir as pessoas? A resposta é sim, infelizmente.

Já vimos, por exemplo, que o Uber veio para mudar a maneira como as pessoas se deslocam e como isso afetou os taxistas. E isso ainda vai mudar quando tivermos carros autônomos, pois não precisaremos de motoristas, ou seja, a falta de trabalho aumentará ainda mais.

O que estamos ignorando é que isso ocorrerá também no marketing das empresas, mas vamos por partes. Vou apresentar 5 sintomas das mudanças que estão ocorrendo e afetando a maneira como víamos o marketing.

Fim das agências de marketing digital

Um dos primeiro sintomas, que você já deve ter lido ou visto por aí, é que o modelo atual de agências de marketing (off ou digital) não é mais sustentável. As agências que não se atualizarem não durarão mais que 3 anos.

Isso porque temos um modelo altamente volátil:

  • Cliente entra, profissionais entram. Cliente sai, profissionais saem.
  • Desequilíbrio entre o que foi vendido e o que será entregue (falsas promessas para fechar negócios).
  • Desequilíbrio entre esforço e remuneração (muitas horas trabalhadas e muito esforço versus baixos salários e não pagamento de horas extras).
  • Donos e diretores de agência desatualizados e que não estão vendo as mudanças na velocidade certa e apostam em frentes defasadas.
  • Trabalham sem objetivos e metas.

Foco em dados

Neste ano, estamos vendo outro sintoma: temos muitas empresas e startups com ferramentas e serviços com foco em dados. Isso elimina grande parte daqueles profissionais medíocres, que se baseiam em feeling, achismos, “sempre fiz isso e deu certo”, “sei o que estou fazendo”, “faz o que eu estou falando”, pois todos ficam sabendo dos resultados das ações feitas. É como uma prova da OAB para quem faz o curso de direito, mas feita pelo próprio mercado de marketing, quase como uma seleção natural.

E isso tem uma consequência muito boa, já que todo mundo do marketing vai poder trabalhar com KPIs, objetivos e metas claras e reais. Eu mesmo já fui em reuniões e me deparei com metas que não faziam nenhum sentido com os números, momentos e cenários atuais. Era mais ou menos como sair de Belo Horizonte e ir até Buenos Aires (objetivo) num Fiat Uno (estrutura), sem revisão (processos), com um tanque de gasolina (insumo).

Quando todo mundo sabe onde tem que chegar as coisas ficam mais fáceis para todos, principalmente no quesito tomar decisões rápidas e validação das ações. Fica mais simples para as pessoas entenderem que elas fazem parte do processo e que todos, como um grande time, são responsáveis pelo resultado.

Novos profissionais e resultados sempre a vista

Os profissionais de marketing começam a lidar com números, gráficos, estatísticas, testes a/b, análise de dados em tempo real, KPIs e uma série de informações de alto nível estratégico. Isso começa a eliminar as pessoas que têm aversão a áreas de conhecimento diferentes daquelas em que graduaram. Aquela visão do “pessoal descoladão de humanas” ficou para trás dentro do marketing. Nos aproximamos muito da área administrativa, vendas, TI e financeira.

Recentemente a Adidas disse adeus a publicidade na TV, apostando que o engajamento em médio e longo prazo nos canais digitais, em dispositivos móveis, tem retorno melhor. Na ponta do lápis, a TV não tem um ROI de vendas tão satisfatório quanto a presença digital, já que seu público prefere o smartphone.

Automação

Não é de hoje que a automação está dentro do marketing. O inbound marketing, o e-mail marketing e outras plataformas que trabalham com automação já fazem parte da vida de muitos profissionais. A grande diferença é que isso está ampliando para muitas áreas dentro do marketing. É plausível dizer que toda automação elimina postos de trabalho. Teremos muito menos profissionais puramente operacionais. Equipes com o equilíbrio entre estratégico e técnico estão ficando mais comuns.

Isso é um reflexo de como a equipe de TI pode se juntar a de marketing para resolver problemas. Através das linhas de códigos, não precisaremos fazer aquele trabalho braçal e repetitivo que toma muito tempo. Poderemos focar no que realmente importa e desenvolver estratégias mais eficientes para alcançarmos as metas mais rapidamente, com menos custos. Afinal de contas, redução de tempo significa economia financeira que pode ser alocada em outra área importante e que traz bom retorno em lucros.

Inteligência artificial, cognitive computing e predição

Cada vez mais presente na mídia e nas notícias, em pouco tempo veremos a escalada da inteligência artificial, não só no marketing, como na vida inteira. As máquinas irão aprender a fazer muitas coisas ao mesmo tempo sem descansar, se alimentar, dormir ou ir para casa. Com toda essa informação, é natural que eles comecem a lidar diretamente com humanos sem parecerem robôs de filme americano da década de 80.

Hoje já temos o Watson da IBM que consegue interagir em chats com humanos, respondendo perguntas e orientando o que deve ser feito. Lá fora, já vemos o Watson dando diagnósticos médicos. No marketing, já é possível utilizar o Watson para saber quais são os clusters mais rentáveis para a sua empresa em poucos minutos.

Ainda teremos mais e mais ferramentas que, por meio do big data, saberão dizer quando os seus clientes precisam de um produto seu antes mesmo do próprio cliente pensar nisso. Isso significa que erraremos menos, desperdiçaremos menos tempo e dinheiro. Equipes enxutas serão normais nas empresas quando tudo isso atingir a maturidade.

Mas isso é realmente bom?

Posso dizer que sim, se você tiver um mindset de adaptação a mudanças. Isso porque sempre teremos novas oportunidades de negócios acontecendo, como é o caso das startups hoje. O marketing em sua essência já trata da diferenciação de produtos e serviços, de criar nichos, oportunidades e suprir necessidades.

Isso é uma parte do que já está acontecendo e do que está por vir. Mas como será o futuro do marketing, acho que é melhor perguntar para o Watson…

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